O EGYPICIO
 
O Egipcio
 
Feito antes de "Os dez mandamentos", "Terra de faraós" e "Ben Hur", é um Baseado Baseado no volumoso romance de Mika Waltari, não deixou por menos!
O romance de Waltari rendeu somente uma Minissérie que não lhe fez justiça.
Waltari, cuja mensagem é essencialmente cristã, resta intacto (seu outro livro "O segredo do Reino" - 1ª parte - tem lugar após a morte de Cristo na Terra Santa).
O Egípcio é uma preparação do monoteísmo para o cristianismo muito antes de Cristo: o faraó (Wilding) é uma espécie de Messias que sacrifica sua vida, porque ele sabe que o verdadeiro reino não é o mundo material: ele quer pagar o mal com o bem! Ele também tem discípulos que eventualmente serão mártires ( a cena onde Simmons e outros adoradores do Deus Sol se enfrentam é visualmente atordoante, como um ballet pagão).
Para os sacerdotes, por outro lado, a nova religião pode significar o fim da influência sobre o povo, porque eles contam com um homem forte (Mature) que lidera o exército contra os Hititas, assim como contra compatriotas perigosos. Outra religião, ou não-religião, como podemos dizer, é a de Sinouhé, que durante duas horas não acredita em nada (a seqüência dos grãos de areia é absolutamente sensacional e eleva o filme acima da média de épicos!!)
Este é outro lado fascinante: o filme também é um melodrama eloqüente. Não somente pelo roteiro (notável a irmã do faraó (Tierney) finalmente revelada em "Os Dez Mandamentos', dois anos depois),mas também pela esplêndida cinematografia: Viviani, em seu livro sobre Curtiz, fala sobre a atmosfera de Baudelaire (ou baudelairiana), azul e dourada, notavelmente na cena que envolve a prostituta (Darvi) contemplando seu reflexo na água de seu banho, narcisismo supremo.
Ao redor do herói, todas as características aparecem, desaparecem, aparecem novamente, mas quando reaparecem, encontram seu caminho e toda a sublocação traz novamente uma consumada habilidade.
De resto, é como nos melodramas "modernos", a história é um longo flashback, emoldurado em duas pequenas seqüências que mostram Sinouhé como um homem velho, recordando.
É um maravilhoso épico, que teve uma forte influência, não só na América,como na Europa, notavelmente na Polônia onde Jerzy Kawalerowicz
dirigiu o sedutor "Faraon" (Terra de faraós) de 1966 parcialmente dirigido por Curtiz.

NOTA:
PEPLUM - EXPRESSÃO IDIOMÁTICA QUE SIGNIFICA ÉPICO,OU USADA PARA DESIGNAR FILMES DE ROMANOS, COMO GLADIADOR ,FILMES MITOLÓGICOS, DO ANTIGO TESTAMENTO ,DA VIDA DE CRISTO,DA BABILÔNIA,EGITO,PÉRSIA E O ANTIGO

 

ELENCO
FICHA TÉCNICA
Jean Simmons
Victor Mature
Michael Wilding
Gene Tierney
Bella Darvi
Peter Ustinov
Edmund Purdom
John Carradine

Ano:1954
Duração: 1:40m
Diretor: Michael Curtiz
Prodtor: Darryl Zanuck
Roteiro: Philip Dunne
roteiro: Casey Robinson
Musica: Bernard Herrmann
Musica: Alfred Newman
Photografia: Leon Shamroy

O Egipcio
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O Egipcio
© 2002 NostalgiaBR - Geraldo de Azevedo