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| PETER O'TOOLE |
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Em 2003, novamente a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tenta consertar um de seus inúmeros deslizes históricos, entregando um Oscar honorário para um ator que foi indicado sete vezes mas nunca havia vencido: o veterano Peter O'Toole. Conhecido por seus magníficos olhos azuis e por seus papéis que misturavam aventura, sensibilidade e um tom levemente épico, o ator com mais de 40 de carreira ainda não havia recebido da Academia o devido reconhecimento por seu imenso talento. O'Toole, porém, parece ter tomado emprestada a coragem de seu mais famoso personagem, em ''Lawrence da Arábia''. Ele disse à Academia que pretende recusar a estatueta – porque ainda deseja ganhá-la justamente, nas categorias competitivas. Talento para isso ele tem e idade não é problema: Albert Finney, que se formou juntamente com ele na Royal Academy of Dramatic Art, foi indicado por seu papel em ''Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento'' aos 65 anos de idade. Aliás, no ano em que Finey e O’Toole se formaram, a turma também contava com os futuros astros Richard Harris (o Dumbledore de ''Harry Potter e a Câmara Secreta'') e Derek Jacobi (shakespeareano que constantemente trabalha nos filmes de Kenneth Brannagh). Todos eles se surpreenderam com a história de vida do O’Toole, filho de um irlandês e uma escocesa (mas criado na Inglaterra) que se envolveu com o teatro quase por acaso. Originalmente, O’Toole queria ser jornalista. Desistiu da escola aos 14 anos, para começar a trabalhar num jornal como mensageiro. Obstinado, de fato conseguiu galgar posições e chegou a publicar notícias no Yorkshire Evening Post. Mas, aos 17 anos, integrou uma trupe de teatro amador e se apaixonou pelas artes dramáticas. Não teve muito tempo para curtir essa paixão, pois logo foi recrutado pela Marinha Real inglesa, em que serviu por dois anos. A experiência acabaria servindo, anos depois, para compor seus personagens, geralmente aventureiros e/ou com alguma patente militar. Quando voltou, em 1952, foi estudar na Royal Academy, de onde saiu em 1954. De 1955 a 1958, ele atuou com a companhia de teatro Bristol Old Vic e também conseguiu algumas pontas na TV. Em 1959, seus olhos azuis, cabelos loiros e porte físico impressionante começaram a chamar a atenção do meio artístico inglês (e das mulheres também – neste ano, ele se casou com a atriz Siân Phillips). O’Toole foi imensamente elogiado na peça ''The Long, the Short and the Tall'', que lhe garantiu, posteriormente, uma primeira chance no cinema, em ''The Savage Innocents''. No ano seguinte, faria ainda ''Kidnapped'' e ''The Day They Robbed the Bank of England'', mas o sucesso internacional só viria mesmo com ''Lawrence da Arábia'', em 1962. Ironicamente, a escolha original do diretor David Lean para protagonizar este épico era o amigo de O’Toole, Albert Finney. O’Toole o substituiu, e muito bem, vivendo a história real de um indisciplinado tenente britânico que desempenha um papel fundamental na história recente da Arábia Saudita ao ser escalado para trabalhar como observador junto ao príncipe Feisal durante a Primeira Guerra Mundial. O filme foi magistralmente narrado por Lean e sua equipe, retratando Lawrence não como um herói típico, mas mostrando diferentes e tênues facetas de sua personalidade. O’Toole, auxiliado por sua imensa beleza física, estava tão magnético na tela que o roteirista, ator, diretor e dramaturgo Noel Coward lhe disse, à época: ''se fosse possível você ficar ainda mais bonito, o nome do filme seria ‘Florence da Arábia’''. Aliás, gracinhas entre o elenco eram comum: O’Toole se referia a Omar Shariff exclusivamente como Fred, porque, segundo o irlandês, ''ninguém no mundo se chama realmente Omar Shariff''. O’Toole se tornou instantaneamente uma celebridade mundial. Recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Ele teria uma segunda chance no prêmio da academia dois anos depois, por seu filme seguinte, Becket, no qual interpreta o rei Henrique II. Seu terceiro grande filme, ''Lord Jim'', à respeito das aventuras de um relutante marinheiro, consolidou sua carreira como galã de cinema e queridinho da crítica. Daí em diante, tal qual Midas, tudo que tocava virava ouro. Trabalhou com grandes artistas: fez ''What’s New Pussycat?'' (1965), ao lado de Peter Sellers, com roteiro de Woody Allen; ''How to Steal a Million'' (1966), com Audrey Hepburn; "O Leão do Inverno" (1968), com Katherine Hepburn; e o musical ''Goodbye, Mr. Chips'' (1969), ao lado da esposa Siân. Por estes dois últimos, O’Toole conseguiu novas indicações ao Oscar. (''O Leão...'', aliás, também lhe permitiu descobrir que foi a amiga Katherine Hepburn que sugeriu ao produtor de ''Lawrence da Arábia'' sua contratação no lugar de Finney, anos atrás). A aclamação geral, por incrível que pareça, teve efeitos adversos na vida de Peter O’Toole. Acabou esvaziando sua vida de significado. Ele se entregou à bebedeira, dedicando-se, quase que sistematicamente, a destruir, durante a década de 1970, tudo que o construiu na década anterior. Fez uma sucessão de más escolhas, optando por papéis muitas vezes aquém de seu talento, como ''Under Milk Wood'' (ao lado de Elizabeth Taylor), ''Foxtrot'' (com Max von Sydow) e ''Zulu Dawn'' (no qual, já bastante acabado, não fazia mais do que uma mera participação coadjuvante). Ele até pôde conseguir mais uma indicação ao Oscar (pelo interessante ''The Ruling Class''), mas o cômputo final da década foi realmente trágico: seu casamento encerrou-se em 1979; sua beleza havia sido levada embora pelo álcool, pela boemia e pelos exageros; e sua carreira definhava a olhos vistos. O’Toole decidiu então dar uma guinada em sua vida. Renunciou à bebida e passou por um longo e extenuante tratamento médico para desintoxicação. Deu certo: todos estavam ansiosos para vê-lo retornar à boa forma em ''The Stunt Man'' (1980), drama acerca de um fugitivo da polícia que acaba se disfarçando como dublê na filmagem de um longa-metragem. Surpreendente, O’Toole fez o público rir como Eli Cross, o histérico diretor do tal filme, ironicamente inspirado em David Lean (o cineasta de ''Lawrence...''). A Academia o congratulou com uma nova indicação ao Oscar, mas ainda não era desta vez que o ator levaria o careca dourado para casa. Não importava. O’Toole estava de volta – e com estilo. Repetiu a boa performance no filme seguinte, a comédia ''My Favourite Year''. Se antes havia satirizado o diretor Lean, agora tirava sarro de si mesmo: em ''Favourite...'', ele interpretava um astro de matinê decadente e bêbado que só faz besteiras em sua participação em um programa de variedades ao vivo. Recebeu sua sétima indicação ao Oscar. Entretanto, O’Toole começou a notar que bons papéis para alguém de sua idade começavam a rarear... Seu tempo áureo havia mesmo passado. Concentrou-se em projetos na TV e chegou até mesmo a emprestar sua voz para uma versão animada do Sherlock Holmes. Voltou a trabalhar com grandes diretores em "O Último Imperador", de Bernardo Bertolucci, e ''High Spirits'', de Neil Jordan, mas o resto de seus filmes nesta década são lamentáveis. Para se ter uma idéia, os dois de maior repercussão no final da década de 1990 foram o medonho thriller ''Fantasmas'' (no qual Ben Affleck investiga monstros sobrenaturais que atacam uma cidade) e ''O Encanto das Fadas'' (infantil a respeito de duas crianças que alegam terem fotografado fadinhas da natureza). - Ganhou um Oscar honorário em 2003, em homenagem à sua carreira. - Recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Ator - Drama, por "Becket, o Favorito do Rei" (1964), "O Leão no Inverno" (1968), "O Substituto" (1980) e "Venus" (2006). Venceu por "Becket" e "O Leão no Inverno". - Recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia/Musical, por "Adeus, Mr. Chips" (1969), "O Homem de La Mancha" (1972) e "Um Cara Muito Baratinado" (1982). Venceu por "Adeus, Mr. Chips". - Recebeu 3 indicações ao BAFTA, na categoria de Melhor Ator Britânico, por "Lawrence da Arábia" (1962), "Becket, o Favorito do Rei" (1964) e "Venus" (2006). Venceu por "Lawrence da Arábia". - Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, por "O Último Imperador" (1987). - Recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro, na categoria de Pior Ator, por "Supergirl" (1984). - Recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro, na categoria de Pior Ator Coadjuvante, por "Clube Paraíso" (1986). fonte: Wikipédia - Pesquisa Geraldo de Azevedo |
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FILMOGRAFIA 2007 - Stardust - O mistério da estrela (Stardust)
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