O inglês Stan Laurel (o Magro) e o americano Oliver Hardy (o Gordo) se juntaram em 1927, e assim como os Três Patetas, são até hoje reconhecidos pelo seu humor simples e ingênuo. Stan e Olie são verdadeiros quadrinhos filmados
. Nascido em julho de 1890; filho de um casal de atores o jovem Arthur Stanley Jefferson; mais tarde Stan Laurel, logo se interessou pela arte de representar entrando para o teatro. Na década de 10 chegou aos E.U.A na companhia teatral de Fred Karno fazendo dupla com nada mais, nada menos do com que Charlie Chaplin. Entre 1920 e 1925 realiza uma série de comédias mudas para a Universal Pictures até que em 26 é contratado pelo estúdios de Hal Roach tornando-se uma presença constante nas comédias do referido estúdio. Em 1927 forma a imortal dupla com o gordo Hardy.

Nascido em 1892 Oliver Norville Hardy , era filho de um famoso advogado do estado da Geórgia .Aos 8 anos de idade já cantava em apresentações de família e por influência do pai, estudou Direito. Mas, em 1913 apaixonou-se pelo cinema e virou ator. Em 1917 Olie e Stan têm seu primeiro contato na tela grande num curta em que Stan é um vendedor de livros e Olie um bandido que o molesta.
Diferentemente de Laurel que só fez comédias, Hardy chegou a fazer papeis dramáticos ; mas devido a sua figura bonachona passou a fazer tipos cômicos. Em 27 a célebre dupla é constituída no filme “Duck Soup”:
Ao contrário de outros comediantes que tiveram suas carreiras destruídas com o advento do cinema sonoro, (entre eles, o genial Buster Keaton!) o humor de Laurel e Hardy se adaptou perfeitamente nas películas faladas. ( Chaplin só realizaria seu primeiro filme parcialmente falado em 36, “Tempos Modernos!”)

Em 1929 realizaram algumas comédias que embora mudas, já contam com ruídos e sons. Ainda em 29 , O Gordo e o Magro fazem o primeiro filme falado: “Unaccostomed as We Ware”, que seria refilmado em 38 como “Blockheads” (aqui no Brasil, “A Ceia dos Veteranos.”) O curioso é que o filme de 29 tem uma cópia muda de 18 minutos e outra falada de 21 minutos. Até a década de 70 só existia a versão muda (não me perguntem por quê!).
Em 1931 Laurel e Hardy estreiam num longa- metragem: “Perdão para Dois” (Pardom Us). O comediante escocês James Finlayson; que participou de boa parte dos filmes de Olie e Stan ; faz uma ponta impagável como professor do presídio e Boris Karloff , futuro Frankestein do cinema aparece numa participação como presidiário.
Os sucessos se sucedem: “Dois Trapalhões bem Intencionados” (1932), “Fra Diavolo”, (Não há cópia no Brasil!)e “Filhos do Deserto”(1933), “Dois Caipiras Ladinos”(1937). “Filhos do Deserto”, fez tanto sucesso que virou nome de um fã – clube famoso da dupla nos E.U.A .
Na vida pessoal, porém, brigavam muito! Laurel, o gênio da dupla; ficava até altas horas da noite dentro de estúdios bolando “gags”, enquanto Hardy só queria saber de seu hooby predileto: jogar golfe . As relações de Laurel com o produtor Roach também azedaram. Com isso, o contrato dos dois termina em 38 e o Gordo faz um filme sem o Magro: “Zenóbia”. Hardy tenta fazer sem sucesso uma dupla com o antigo comediante do cinema mudo, Harry Langdon (fisicamente parecido com Laurel). Ainda em 38, voltariam a filmar no já citado “A Ceia dos Veteranos”. Na historia, O Magro passa 20 anos num front sem saber que havia terminado a Primeira Guerra. O Gordo o leva para a casa, e aí, Stan consegue destruir o apartamento e o casamento do amigo.
Em 40, rodam os dois últimos filmes da fase de ouro da Metro: “Dois Palermas em Oxford”(“A Chump at Oxford”) e “Dois Marujos Improvisados”(“Saps at Sea”). No primeiro, o Magro é confundido com um nobre inglês e no segundo, o Gordo com uma crise nervosa por trabalhar numa fábrica de buzinas, vai com o Magro passear num barco, e lá se envolvem com um perigoso bandido.
Em 41, assinam contrato com a Fox. Os filmes da Fox eram tecnicamente mais bem produzidos, porém não tinham o charme dos da Metro. São desta fase, “Ladrão que Rouba Ladrão”,(1943), “A Bomba” (1944) e “Os Toureiros” (1945).
Com Hollywood fechando as portas para eles, só voltariam a filmar 05 anos depois. Em 1950 fariam a fracassada produção “Atol K”. Como não conseguiriam distribuidor norte-americano, o jeito foi uma produtora italiana distribuir o filme. Por causa disso, a película teve outro título “Utopia”. No Brasil chamou-se “No Paraíso dos Malandros’.
Em 56, o produtor Hal Roach Jr. teve a idéia de fazer uma série do Gordo e o Magro para a TV. Infelizmente, não pôde ser posta em prática pois Hardy, o Gordo faleceu em 07 de agosto de 1957 de complicações cardíacas..
Com a morte de Hardy, Laurel se retira do cinema. Em 60, ele é homenageado por Hollywood com um Oscar por sua contribuição à comédia norte-americana. No ano seguinte, outra homenagem: a de seu “fã de carteirinha”, Jerry Lewis. Um dos primeiros filme dirigidos e interpretados por Lewis “O Mensageiro Trapalhão” é inspirado em Stan Laurel.Laurel, o Magro morreu de um ataque cardíaco em 23 de fevereiro de 1965.

 
 

O GORDO E O MAGRO - DOIS PALHAÇOS GENIAIS

Um feliz matrimônio de contraste. Ou a perfeita versão de um relacionamento imaturo entre um pai soberbo e um filho atarantado. Assim foram, durante os 96 filmes que fizeram juntos de 1927 a 1951, o inglês Stan Laurel (1890-1965) e o americano Oliver Hardy (1892-1957).
Para cultivar como poucos a arte da catástrofe calculada, preservaram imperturbável fidelidade a um estilo, com truques de pantomima que se repetiam infinitamente sem perder a limpidez e a graça originais.
O magro Laurel, cara de bebê chorão, sempre retocado por melancólico ar de culpabilidade, efeito de suas impávidas tolices, era a criança indefesa, protegida pela prodigiosa obesidade de Hardy, cujas mesuras cavalheirescas e fidalgo semblantes ficavam em hilariante desacordo com seu porte paquidérmico. Invariavelmente às trapalhadas de Laurel, Hardy reagia encarando a câmara com um olhar de suplicante resignação, substituído por uma colérica revolta se de súbito seu protegido revelasse uma sapiência que lhe feria o orgulho.
Essa fusão magnífica de imagens e têmperas paradoxais, no entanto, não mereceu em seu tempo a justa consagração, - que só veio postumamente, nos anos 60, quando floresceu entre os americanos uma idolatria de invejáveis proporções.
Entronizados então como soberanos da comédia hollywoodiana, o gordo e o magro, que Marcel Marceau chamou de “mestre de todos os mímicos do mundo” foram enfim reverenciados com tributos do próprio cinema.

Geraldo de Azevedo

 

Laurel e Hardy

 

Colaboração de Isabel Moreira - Armazem de Sonhos

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