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| JAMES
IVORY |
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James
Ivory é o mais «europeu» e academicista dos realizadores
de origem nova-iorquina é unicamente a cabeça visível
de um trio de colaboradores (quase) inseparável e de uma qualidade
ímpar: Ismail Merchant, produtor, e Ruth Prawer Jhabvala, argumentista,
são os restantes vértices do profícuo triângulo.
Diz James Ivory: «Nós somos um pouco como o Governo dos EUA.
Eu sou o Presidente, Ismael é o Congresso e Ruth é a Corte
Suprema.» Vale a pena conhecer o que à partida os separava
e enriqueceu o contacto. Ivory
queria ser arquitecto de interiores e esforçou-se, em Berkeley
e Oregon. Contudo, depressa percebeu que algo lhe faltava e o cinema acabou
por atraí-lo. Ismail nasceu em Bombaim, diplomou-se em administração
de empresas, e tornou-se um especialista da cozinha franco-indiana. Ruth
é uma escritora premiada com um Booker Prize - de 1975, por Heat
and Dust -, ainda que o seu trabalho mais badalado seja como argumentista
de Ivory. Há quase 30 anos que não se largam, desde - se
bem me lembro - Shakespeare Wallah, de 64. Foi particularmente feliz a trilogia forsterniana. Ivory achou uma justa adequação cinematográfica para as atmosferas do escritor e a trilogia alicerçou um tema que tem estado presente nos seus melhores filmes (de Os Europeus a Despojos do Dia), configurando-lhe (à equipa) um perfil de «autor»: na maior parte dos romances, Forster coloca em evidência o conflito que se gera nas relações entre as personagens que vivem guiadas pelos seus instintos, e aquelas que obedecem, acima de tudo, aos imperativos das convenções sociais. Também nos filmes de Ivory tem sido este o tema dominante. Mais
uma vez, num ritmo pausado, elegante, assim é - neste último
e interessante Filha de Soldado Nunca Chora. Ruth Prawer Jhabvala adapta
uma novela autobiográfica, de Kaylie Jones - a filha do escritor
James Jones, que tornou aos escaparates graças a Terence Malick
e ao filme The Thin Red Line. E Ivory, depois de um desenxabido Jefferson
em Paris, afasta-se dos filmes de década e retrata uma família
de intelectuais americanos que anda volante entre Paris e os EUA, durante
as décadas de 60 e 70. Três homens, três fases distintas e diferentes códigos de conduta em conflito com a espontaneidade própria de cada idade para manifestar prazeres e dores; num compromisso constantemente negociado (espantosa cena a da casa da árvore, onde a iniciação sexual se faz com caracóis) e que tem por modelo uma presença forte e liberal, a do pai - seguramente, o fantasma mais em evidência na galeria de fantasmas que constitui sempre o crescimento. Pena o filme nem sempre encontrar a ambiência, o calor e a emoção bruta das décadas que enquadra, mas a eficácia do seu inesperado elenco e a força de algumas personagens (Francis, a empregada portuguesa) tornam o filme muito agradável de se seguir. Texto de ANTÓNIO CABRITA |
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Filmografia Divorce, Le (2003) |
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© 2002 NostalgiaBR - Geraldo de Azevedo
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