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DOUGLAS FAIRBANKS
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| Douglas
Fairbanks correu e pulou pelo cinema mudo da década de 1920 como
um garoto de escola hiperativo no maior parque de aventuras de todos -
Hollywood. Balaústres foram feitos para escorregar, candelabros
para balançar, paredes para serem escaladas, mobília para
ser saltada e janelas para ser transpostas. O seu sorriso deslumbrante
brilhava como a sua espada. Ele se movia com rapidez, força e,
acima de tudo, graça. Em 1919, os quatro maiores nomes de holliywood - Fairbanks, Mary Pickford, David Wark Griffith e Charles Chaplin - formaram a United Artists, porque eles queriam mais independência. No ano seguinte, Fairbanks casou-se com Mary Pickford - a "Queridinha da América" - e eles passaram a lua-de-mel na Europa: precisaram da polícia para protegê-los das imensas multidões que apareciam para vê-los. Como não havia nenhuma barreira lingüística no cinema mudo, Fairbanks e Mary eram conhecidos em todos os cantos do mundo onde filmes eram exibidos. Ao retornar para os Estados Unidos, eles se estabeleceram como "O Rei e a Rainha de Hollywood" em Pickfair, uma ampla casa em estilo Tudor em uma propriedade de 18 acres em Beverly Hills. Ser convidado para Pickfair era o ápice do sucesso social. Eles foram visitados pela nobreza européia, por intelectuais, artistas, socialites e dignitários. Fairbanks, que media 1,75 m e pesava 72 quilos, era boxeador, ginasta, nadador, cavaleiro, esgrimista e jogador de tênis de sucesso. Ele andava com um porte atlético, passando uma idéia de energia controlada que demonstrava confiança. No entanto, a sua personalidade escondia um homem que desejava profundamente afeição e atenção. |
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Ele nasceu com o nome de Douglas Elton Ulman em 23 de maio de 1883 em
Denver, Colorado. Seu pai, um importante advogado judeu, saiu de casa
quando Douglas tinha 5 anos e sua mãe passou a adotar o sobrenome
do seu falecido marido, John Fairbanks. Ao longo de toda a sua vida ele
fez segredo sobre o seu verdadeiro nome, sobre ser metade judeu e sobre
os seus pais não serem casados.
Como seu pai bebia muito, sua mãe o fez assinar o juramento de sobriedade aos 12 anos e ele permaneceu um abstêmio por toda a vida, tendo uma grande antipatia por bebida e bêbados. Ironicamente, Mary Pickford tornou-se uma alcoólatra, um fato que magoava Fairbanks mais do que ele jamais admitiu. Ele continuou a afirmar que John Fairbanks era o seu pai, que ele tinha estudado em Harvard (ele largou a escola aos 15 anos), que tinha cruzado o Atlântico num navio de gado e tinha lutado com um touro na Espanha. Muito tempo depois da sua morte se revelou que um dublê fazia muitas das suas proezas mais vertiginosas. Ele
era ligado à mãe de maneira anormal e, quando garoto, para
provocar a sua preocupação, ele desafiaria o perigo escalando
em árvores e prédios. Certa vez ele caiu de um telhado e
retomou a consciência nos braços da sua mãe, feliz
em ser o centro das atenções. Ele nunca superou o gosto
de menino em exibir-se e raramente era chamado de Douglas ou sr. Fairbanks.
Era sempre "Doug". |
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Fairbanks dizia que tinha nascido para interpretar D'Artagnan nos Três
Mosqueteiros (1921), com os seus vastos cenários representando
a França do século 17. Começou uma tendência
rumo a produções espetaculares de US$ 1 milhão. Usando
um chapéu com pluma, uma peruca cacheada e usando um bigode pela
primeira vez, ele galopou pela história emocionante e manteve o
bigode feito a lápis pelo resto de sua vida. Robin Hood (1922) teve os maiores cenários jamais concebidos para um filme mudo, incluindo um castelo gigantesco com muros de 30 metros construídos por 500 operários. As cenas de ação superaram tudo que Doug tinha feito antes com trampolins escondidos sendo usados para dar mais altura aos seus saltos, em particular um sobre um fosso de 4,5 metros. Fairbanks participou de todos os aspectos da produção de um filme e ele se interessou particularmente pelos cenários. Feito pelo total sem precedentes de US$ 2 milhões, O Ladrão de Bagdá (1924) foi o seu filme mais ambicioso e opulento. William Cameron Menzies construiu cenários gigantescos incluindo minaretes altos e prédios mouriscos que deram ao filme uma atmosfera exótica, de conto de fadas. Ele estabeleceu novos padrões em Hollywood para efeitos especiais que ainda surpreendem, ainda que o tapete mágico fosse pendurado por cordas de piano de um guindaste que balançava bem acima dos cenários. O Pirata Negro (1926) foi o primeiro filme technicolor de dois tons e continha uma das cenas de acrobacia mais espetaculares do cinema mudo: para capturar um navio, Fairbanks sobe num mastro e desce até o convés furando a vela larga com a sua espada, rasgando a lona no caminho. Como o seu peito ficou exposto na maior parte do filme, tinha de ser depilado toda manhã antes da gravação. Em 1929, Fairbanks, então com 45 anos, fez de novo o papel de D'Artagnan em A Máscara de Ferro. O filme permitia uma caracterização mais velha e mais sábia, mas ainda ágil. O único reconhecimento de diálogo sonoro do filme foi no discurso de Fairbanks em um prólogo e um epílogo. Foi o fim da grande era muda. |
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Quando Fairbanks e Mary Pickford dividiram o estrelato no "todo falado,
todo luta" A Domesticação da Fera (1929), o casamento
e as carreiras deles estavam chegando ao fim. Ele não conseguia
decorar as suas falas, chegava tarde e minava a confiança dela
ao ser crítico demais. Apesar do óbvio ar de autogozação,
seu último filme, A Vida Privada de Dom Juan (1934), de Alexander
Korda, foi um negócio desalentador. Havia muito pouco do velho
Fairbanks e muito do Fairbanks velho. Pouco tempo depois do lançamento do filme, sua vida particular foi invadida por um processo de divórcio movido contra ele por lord Ashley, marido da ex-cantora de coral Sylvia Hawkes. Fairbanks casou-se com lady Sylvia (como ela continuava a se apresentar) em 1936, mas, três anos depois, teve um ataque cardíaco e morreu, aos 56 anos. Fairbanks acreditava que os seus filmes mudos nunca seriam mostrados ao público novamente. Mas nos últimos anos muitos foram redescobertos e restaurados para que as suas façanhas intensas possam agitar as platéias novamente. |
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FILMOGRAFIA The Lamb (1915) |
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2002 NostalgiaBR - Geraldo de Azevedo |