BUSTER KEATON
Buster Keaton

Diz a lenda que o cômico Buster Keaton nunca ria. Mas ele aparece dando gargalhadas no filme "A Garagem", produzido em 1920. Foi uma exceção, claro, porque a marca registrada de Keaton era mesmo a expressão séria na tela, o olhar triste, apesar de ter feito muita gente rir, principalmente nos tempos do cinema mudo, quando chegou a ser considerado melhor do que Charles Chaplin por alguns críticos da época. Joseph Krank Keaton morreu de câncer no pulmão no dia 1º de fevereiro de 1966, sete anos depois de receber um Oscar especial por ter feito "filmes que durarão enquanto durar o cinema".

Ele nasceu em 4 de outubro de 1895, 88 dias antes da primeira sessão do cinematógrafo, em Paris, em 28 de dezembro. Segundo o crítico James Agee, ele "enfrentou o absurdo com silenciosa elegância". E o absurdo era sua matéria-prima, desde o começo da carreira, quando, aos três anos de idade, integrou o grupo Os Três Keaton, no teatro burlesco, contracenando com os pais e tendo entre seus fãs o famoso Houdini, "o homem miraculoso". Foi ele quem o apelidou de Buster (gíria de desajeitado, trapalhão).

No cinema, apareceu pela primeira vez em 1916, aos 20 anos, ao lado do cômico Roscoe "Fatty" Arbuckle, o Chico Bóia, no curta-metragem "The Butcher Boy". Ele é um freguês que entra numa mercearia bem na hora de uma briga, em meio a sacos de farinha atirados por tudo quanto era lado. Claro, ele também foi contemplado, e começou a gostar dos chamados filmes de pastelão.

Serviu na infantaria americana durante a Primeira Guerra, em 1919, quando foi mandado para a França. Na volta, sua carreira deslanchou. Em 1920, fez "Cabeça de Tolo", o primeiro de uma série de filmes de sucesso. "Rosto de Mármore", "Figura de Cera", "Máscara Trágica", "O Homem que Não Ri" - os cognomes eram muitos. Fez 47 filmes nos tempos do cinema mudo, e muitos deles podem ser vistos ainda hoje, em cinematecas.

Em 1928, assinou contrato com a MGM, mesmo tendo sido alertado, por Chaplin e pelo cômico Harold Lloyd, de que essa produtora não lhe daria o devido valor. Keaton passou por um período difícil: aos 36 anos, ficou desempregado, sofreu crises mentais. Quando se recuperou, só ganhava pequenos papéis, como em "Luzes da Ribalta", em que faz um dueto com o palhaço Calvero, interpretado por Chaplin. "Só nos anos 50, com a televisão, ele se tornou grande novamente", diz sua viúva, Eleanor Keaton. E ela garante: se nas telas o cômico não ria, fora dela era uma pessoa divertidíssima, sempre pensando em alguma brincadeira.

Em 1957, atuou como co-diretor em sua cinebiografia "O Palhaço Que Não Ri", com ele próprio e Donald O'Connor. Em 65, rodou o curta colorido "O Viajante" e, graças à ajuda de seus admiradores Samuel Beckett e Richard Lester, foi escalado para interpretar o personagem que passa o tempo todo à espera de Godot, em "The Loveable Cheat", inspirado no livro do próprio Beckett. Durante a apresentação do filme, no Festival de Veneza, Keaton foi aplaudido de pé pelo público. Ficou emocionado, e fez uma observação amarga ao ouvir os aplausos: "Eles vieram com 30 anos de atraso..."
Ademir Fernandes
Agência Estado

 

 

 

Filmografia

1960 Os Reis da Comédia elenco
1950 Crepúsculo dos Deuses elenco
1928 O Homem das Novidades direção
1928 O Homem das Novidades elenco
1927 A General direção
1927 A General roteiro
1927 A General elenco
1925 O Vaqueiro direção
1925 O Vaqueiro roteiro
1925 O Vaqueiro elenco
1923 A Antiga e a Moderna direção
1923 A Antiga e a Moderna elenco
1923 Nossa Hospitalidade direção
1923 Nossa Hospitalidade elenco

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